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Chega em um bistrô e pede: de entrada, eu quero comer Marina de 1979 até 1989, traga crua mesmo

Eu quero Marina em litros
para bebê-la com conhaque.
Quero baseados de Marina.
Marina sintética na veia.
Livros biográficos de suas personagens.
Quero cheirar suas canções.
Cheirar às suas canções.
Chorar suas melodias.
Eu quero Marina nua em pelo sobre meu devaneio, em cima da mesa.
Proibida e quero assim.
Marina mascada, pisada, vencida, enlouquecida.
No chão, na brisa, além mar.
Sirvam-me Marina em pó.
Dissolvida na fumaça da imaginação.
Cantem Marina sádica, climática, gay, ausente.
Provoquem-me uma dor Marina completa.
Eu quero agora e urgente.
Marina deus, Marina mulher.
Despejem ela sobre mim.
Pingue na minha língua.
Eu quero. Marina.
Eu quero me degolar com os vinis de Marina.

Ramon Alcântara