1893-1998

E se eu estiver gostando de você sem te conhecer?
E se eu não quiser te conhecer para gostar de você?
E se eu só consigo gostar do que não conheço?
E se eu não conheço o que gosto?
O que fazer com esses olhos se olhando?
O que fazer com essa situação desconcertante?
Com esse tempo que está passando?
Por que você não para de me olhar?
Por que você está vindo em minha direção?
Por que você pegou em minha mão?
Por que você está dançando comigo?
Não me beije!
O que fazer com essas bocas se beijando?
E se eu não for como você imagina?
E se você não imagina o que eu deva ser?
E se você só imagina o que não é?
E se você for só imaginação?
O que fazer com essas imaginações se imaginando?
O que fazer com essa situação desconcertante?
Com esse tempo que passou?
Por que não consigo parar de sonhar?
Por que estou indo em outra direção?
Por que estou largando suas mãos?
Por que estou dançando para você?
Não me deixe!
O que fazer se você está me deixando?
E se nada fosse como tudo foi?
E se tudo foi para que nada fosse?
E se não era para ser?
E se não foi?
O que fazer com o que teria sido?
O que fazer com essa situação desconcertante?
Com esse tempo que passaria?
Por que nós nos lembramos disso tudo?
Por que nós não estamos aqui?
Por que ainda acenamos as mãos?
Por que sentamos despercebidos?
Por que ainda acenamos as mãos?
Não se queixe!
Por que ainda acenamos as mãos?
O que fazer se não sabemos o que lembramos?
Por que ainda acenamos as mãos?
O que fazer se não nos reconhecemos?
Por que ainda acenamos as mãos?
O que fazer com essa situação desconcertante?
Por que ainda acenamos as mãos?

Ramon Alcântara