Pela revolução, sou cúmplice do tempo

Para minhas crianças e jovens

Porque meu percurso não é retilíneo,
nem circular.
Randomicamente, eu sumo e apareço.
Sequer estou indo,
nem voltando.
Onde estou? Já estive.
E depois? Mesmice?
Fugidio,
estou atrás de quem me persegue.
Escorregadio,
segurando quem me retém.
Evoluindo nos meus,
sou a estratégia que fica.
Eu sou a condição do possível,
sequer existo.
Mensagens secretas
imateriais transgeracionais indizíveis.
Meu som é a rima do susto com o sentido,
quando apareço de repente encapuzado
do beco escuro, sustenido: uh.
Eu tenho cor sim,
mas você só irá me enxergar
quando todas minhas matizes se perceberem.

Por que escrevi esses versos?
Para o tempo passar por você,
armado,
sem ser notado. Já foi!
Estamos entrando.

Porque somos imortais,
mesmo que você nos matem,
diariamente.

Ramon Alcântara