Durante um tempo Manoel de Barros morou na Rua do Amor

Por um motivo desconhecido
correu até a rua, quando chovia.
Deitou no chão e deixou-se levar
pelos córregos
até escorrer em uma boca de esgoto.
E de lá não se teve mais notícias.

Há quem diga na rua
que ele passou direto
e infiltrou-se na terra.
Flores e frutos com seu nome,
por conta dos moradores.

Seu vizinho atesta que
ele ainda escorre por aí
embora nos livros fale-se tanto de limo.

Ramon Alcântara