Às vezes...

Às vezes
escrevo uma poesia inteira
na mente.
Recito.
Não anoto.
Esqueço.
Nem sequer um verso,
lembro depois.
Acho que já tenho um livro
assim. Acho.

Estranhos são os leitores
que leem.
Mesmo assim. Estranhos.

Todo rascunho é uma poesia.
Toda palavra, um verso.

Não guardem meus segredos
fantasmas. Nem agora,
nem sempre!


Às vezes,
também,
anoto poesias
mentiras
mnemônicas
alheias
meta-ubiquidades.
Como esta.

Estranhos são os leitores
que leem.

Ramon Alcântara