A N

Ann Nothing Missing, ainda mesmo, sempre, como sempre, foi, é, será. Billy vive em séculos, Ann não se conta. Elipses de vidas. Vidas. Mortes. Repetições. Ann, todo tempo sem você é muito - ele escreve no papel, no mar. Ela-não-letra. Con-segue sua vida, destino, des-encontros eternos. Como os e-

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A N

Aqui, por estas bandas,
esse vento
há vidas
que não venta.

Abra a boca.
Agora, destorça o espírito.

Ele tem gosto de amarelo.

Deixe-se sorrir.

Nem sequer brisas cintilantes.

E mesmo os sabores de sangrar
não farão jamais ela marear.
Porque o musgo cresce internamente no casco.
Porque mesmo haverão outros mares
que certamente
naquele instante cheirarão ao tempo
que sempre é muito quando eles vão.

Signos lhes guiarão
na escuridão
que vem
quando este vento
venta-se
voluntariamente.

Vamos sempre até as bordas
e orlamos.
Inventamos coisas: ventos frágeis, amores eternos,
ou mesmo, milagres cotidianos,
sorrisos.

Para amanhã, sei,
faremos com as ventanias que sobrarem,
pequenos uivos,
quase gemidos de confusão,
tornados de palmas de mão.
Pontas de dedos redemoinhos.
Até não sobrar mais ninguém,
além deles mesmos,
nós.

Ramon Alcântara