Ele é um fragmento de minha crença

O que fazer depois com o entendimento da poesia?

Evapore-se e inspire a si mesmo,
até não restar mais nada de você,
até a overdose de si.

Use drogas pesadas como contra-peso,
os papéis não voam com o vento,
que é sempre passagem,
prensado no instante.

Elementize-se na divina totalidade,
esconda-se nela, rizomatize-se,
reverbere esse intro-espectro.

A perfeição só é perfeita com o seu negativo.

Cabe ao poeta mentir,
des-disfarçar a obviedade.

Depois expire tudo-isso
no fundo de si,
para enxergar o sujeito,
com o vento,
que sempre leva as escrituras.

Ramon Alcântara

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incidental:

Como enxergar o sujeito

Exercitar enxergar emaranhados discursivos
e estruturas organismos corporificação.
As relações de saber-verdade-poder-subjetivação.

A poesia é minha resignação
com tudo-isso. E não somente no poema.
Por outro lado: discursos estruturas organismos.
Inversos da metafísica. A poesia é o verso.

O cuidado de si.
O exercício é dos outros.
Cuidar do corpo da família (os outros) de mim.
Vida.

Os versos são metanálise, arte.
Mas a vida pode ser arte.

Ramon Alcântara