Poética I

É sempre uma conversa taciturna
de um solilóquio metanarrativo perene
de um sintoma positivo
de uma das esquizofrenias compensadas
de Deus-Pulsão
que nos atravessa de-passagem
comentando tardiamente algo
que nem sabemos
que vai aquém além
sequer vislumbramos aonde
buscar sua finitude que a remeta imediatamente
de volta à sua infinitude
ecoa espiral e irresponsavelmente
cada vez mais inaudível
sem nunca cessar porém
e isto é um compromisso tabular
entreglosando nós
à Coisa.

Deveras,
nesta,
estamos,
Poetas,
re-inventando-nos,
sempre abruptamente,
desde o tempo que não se conta.

Ramon Alcântara