Ainda lendo a poesia de ontem VI

Anteontem...

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Allan Kardec, Lacan

avidacorre
apoesiaanda

avidapára
apoesiapassa

avidamorre
apoesiavive

avidavolta
apoesiainsiste

avidapróxima
apoesiachega

Ramon Alcântara

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Identidade na pós-modernidade


eu sou único.
mas, ultimamente,
tenho sido único
elevado ao círculo.
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eumemateiportudoelesmematarampornada!

Ramon Alcântara

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Nada de Novo

Nada de novo.
Trago.
Consumido para consumo: Poesia.
Pára!!!
Nada, de novo.
Encontro.

Nada de novo.
Busco.
Aberto para abrir: Prosa.
Pára!!! Pára!!! Pára!!!
Tudo, de novo?
Expiro.

Nada não.
Eles? Vão.
Elas? Vão.
Eles vão-se... vão-se... vão-se...
É tudo e nada, denovo.
Recupero.

Ramon Alcântara

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Mas me diz: eu te amo

Me diz: eu te amo
sem medo e hesitação.
A ti isso clamo:
Velório da depressão.

A ti, até duvidando,
imploro a enunciação.
Em cima do frio, um pano quente,
desfaz-se a velha dispersão.

Em cima da pose imponente,
provoco-te isso, em sofreguidão.
Mas me diz o que quero ouvir
e te digo nessa canção.

Mas me diz: eu te amo.
Palavras de representação.
Concluo, certamente,
que o sentimento sim, não lhe falta não.

Concluo, pela ilógica racional
que o que escuto seja a externação
do que claro, mas oculto está
turvando nossa relação.
Mas me diz: eu te amo
Amor... não escuto, fale mais alto...

Ramon Alcântara

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Minha Carolina, Minha Menina, Minha Poesia

Estou a amar Carolina.
Para ti tento soprar poesia.
Mas assusta-me perturbá-la
com essa minha melancolia.

O que cantarei a minha menina?
Quem chamarei para enternecê-la?
Fujo e me escondo na vida.
Cecília! Faça com que eu possa tê-la.

O que escrevo não é poesia,
mas uma das infinitas tentativas.
Será que construir um drama?

Respondo não a tal pergunta.
Amar Carolina, minha menina, é poesia.
Saio daqui como a flor sai da lama.

Ramon Alcântara

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Inevitável Transfusão De Poesia:
Do Poema À Vivência Do Amor


Ter-me-á sem poema
mas com a vívida poesia
sem as rimas de tristezas
mas com a sensação de alegria.

Ouvir-me-á não cantar-te
com o vário pessimismo
pois estaremos abraçando-nos
e nos abraços nos construindo.

Terá sim, uma morta mão,
tão não - minha por inerte estar,
porém essa não será a razão
do meu gordo rosto de sorriso,

acariciando seu já esculturado rosto
que tem olhos de que-não-quer-sonetos,
esculpindo meu coração,

que esculpi lânguido,
que ama nosso amor com gosto,
que deixa insossas páginas brancas sem emoção.

Ramon Alcântara

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3 Anos De Poesia, Uma Trilha Sonora

Carolina,
só tinha de ser com você.
O cupido me tocou com aquilo que
não deveria se chamar amor.
- Eu só quero um xodó – dizia.
E ele me deu uma gatinha manhosa.
Agora eu preciso de você, de seu corpo,
do seu jeito de amar.
Sou hoje o maior sentimental que existe.

Veja bem meu bem,
aonde quer que eu vá,
mesmo que seja com meu sapato novo,
vou sem um pedaço de mim, sem minha alma
e deixo do lado de dentro, atrás da porta,
as canções que você fez pra mim.

Oh! Mi Carolina,
quem de nós dois vai ser o ‘cara valente’
e encarar o sol de primavera, como um Fênix?
Eu, por enquanto, só quero encostar na tua
e ficar ouvindo nossa canção.
Fazer a festa. Vem! Abre caminho! Baila comigo!

Por causa de você, menina,
hoje não encaro nem o vento no litoral.
Vivo e morro e sou feliz em Shangrilá.
Só quero você e eu, só quero a sua alma nova,
pois hoje sou dela.

Olha! Não vá ainda,
quero um caso sério.
Aliás, um amor puro.

Carolina, minha mulher,
além do que se vê,
sou um celacanto e sei...
sei que o meu mundo ficaria completo (com você).
Quero la vie en rose do seu lado.
Esse será nosso último romance.
Sei, ele vai te causar shiver, mas saiba
que se essa boneca tem manual,
irei lê-lo e relê-lo todos os dias
para que tenhamos um grande,
um enorme endless love.

Minha morena,
Não sei se está claro, eu não existo sem você
há 3 anos e não pretendo existir nunca mais.
Eu te amo!

Ramon Alcântara