Um adendo

Em tão pouco tempo
já se passou tanto tempo,
que o vento que estou vendo
cai lento, como lenço
que enxuga as lágrimas de dentro.
Atravessa-me, escrevendo,
canoas e remos, rio a dentro.
Tanto tempo! Que eternizemos
cada segundo que vivemos
e viveremos, nesse adendo
que sempre vem depois, de lento
e de um sempre Re-Vendo.
Bebendo, por ti, aqui fora, estou sendo
quem sou do meio para dentro.
Já nem me desfaço no tempo,
já nem me disfarço de vento, só lendo
o que só eu estou escrevendo, nesse adendo.

Ramon Alcântara