3 poesias de amor para Carolina

Que palavras dizem meu amor? (1° poesia sobre o amor para Carolina)

Quando as palavras não vêm,
não vêm e o que vem, então?
Quando se está mais perto,
mas perto não de corpo, mas de coração.

O que o sorriso do olhar,
olhar de sorriso, tem de acusação?
Mesmo que se esconda, medroso,
com face, causa e as mãos.

Mesmo que fuja com as palavras
para os cantos dos contos de solidão.
E ainda mesmo que as palavras fiquem,
o que há em este não falado não?

Procuro as poesias não escritas...
Leio sempre mais, entre versos, o falar.
Entre as palavras, as letras...
Para completar a estrofe rimo por rimar (amo por amar).

Vêm outras palavras, esta poesia
e tudo que ela suporta trazer.
...vejo meu corpo vindo também
e com ele meu amor por você (explico).
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Eu não sei descrever o que é amar (2° poesia sobre o amor para Carolina)

Amar é tão comum,
tão assim, tão sei lá...
Que poesia e muitas palavras complexas
jamais conseguirão representar.

Que poesia e muitas palavras complexas
conseguirão representar,
se acima de todas elas
há algo indescritível em amar?

Amar é ficar lado a lado,
feliz ou triste, só estar...
Que mesmo um ou outro calado
não, não dirão amar.

Então não há palavras
nem silêncio suficientes para o alcançar?
É... pois tudo isso vem depois de tudo
e tudo, depois de amar.
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Lágrimas (3° poesia sobre o amor para Carolina)

Você perfurou meus dois olhos.
Mas não com armas pontiagudas,
mas sim com a docilidade
de suas palavras e músicas (ouvi-te).

Dos dois furos emergentes,
estabeleceu-se um escoadouro.
E apesar de sua vasagem vim de fonte seca,
seu produto líquido é ouro... é tolo.

E é belo por isso... é choro.

Você penetrou-me pela janela.
Mas não como invasores desleais,
pois foi convidada, inquerida
pelos meus ouvidos e passos a mais (aproximei-me).

Do deserto antes intacto,
brotou-se e foi colhida afeição
e esta escorreu pelo meu rosto,
afluente do meu coração.

E é bela por isso, minha paixão.

Ramon Alcântara