Esse tapa-olho dói

Esse tapa-olho dói
cega meu sono
escurece a escuridão
dessas noites que doem mais.

O dedo da consciência insone
encravado nas costas dos meus olhos.

Estou cansado, isso me cansa.
Estou com os joelhos cansados
com sangue alheio.

Um campo de guerra
essa minha cabeça
esse tapa-olho
cega meus sonhos.

Quando uma cor impera
solitária
nada se define.

Todo esse sono insone
e o tapa-olho falho.

Estou tão escurecido.

Meus joelhos nas costas
da minha cabeça.

Quando uma dor impera
solitário
o dedo do tapa-olho
na minha consciência.

Essas noites claras insones
e os tapa-olhos
alheios,
esses que me abraçam.

Ajoelho-me
abaixo dos olhos,
na ponta encravada do dedo
incomodativo.

A noite não acaba nunca.

Quando sonho com um sono
solitários de joelhos
cansados, diante do tapa-olho
da cabeça
do coração
do dedo
da consciência
alheia
nas costas dos meus olhos.

Ramon Alcântara