Eiva

Se eu pudesse me suicidaria todo santo-dia

As andorinhas
de papo azul anil
descem pelos orifícios
do chuveiro
e escorrem
como morcegos
pelo ralo do banheiro
enquanto as personagens
dos meus livros
se banham...

Ramon Alcântara
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Acerca do dia que Monsieur Breton foi acometido por uma câimbra de nó borromeano

A ignoranciência da Poesia é saborosa
e vicia como as gorduras da carne da vaca
e mancha as nossas camisas de seda
e misturada com sub-alcóol etílico
se re-des-faz constantemente.

Embora ainda precise dos seus
Livros Sanguíneos e seu
Leite Materno.

Como bestial este sorriso espermatozóide!

O som mudo em bocas
vegeta a mesma inércia
da corrente des-criação divina.

A ignoranciência retoma a vagina de escrever.
Como deixar-se deitado na pequena ventilação
entre sua pálpebra e seus cílios
em um piscar ordinariamente cedido
entre outros.

Onde o tudo se permite.

Ramon Alcântara
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Eiva

Aqui
toda Poesia
consumida
antes é
flambada
no inferno.

Os rascunhos
guarda-napos
coletivos.





and it wears her out
and it wears him out
and it wears me out

Ramon Alcântara