Jazz is the blues

São as crises
Agora mais constantes
E o quarto
Mais escuro
E o sax
Cada vez mais baixo
É a foz nascente
Desde antes
E o poço
Com o buraco
Mais gozo
E o violino cada vez mais piano
São as crises
Agora mais longas
E as paredes
Mais próximas
E o sexo
Escorregando
Sobre mim
Cada vez mais contra-baixo
É o gozo
Cada vez mais pouco
E o celo
Ainda mais grosso
São as crises
Agora mais graves
É o rio que não corre
Nem fica ralo
Cada vez mais lodo
E a cama
Mais tudo
É a voz
Que canta do fundo
São as crises
Agora mais surdo
Mudo turvo e curto
Ainda mais tristes
As pessoas que dançam.


Ramon Alcântara