Amigos-Livros e Livros-Amigos

Aos meus Amigos-Livros e aos meus Livros-Amigos.

Inicia-se mais um ano e aproveito para abraçar todos aqueles que das mais variadas formas contribuíram para me fazer Poesia. 


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Jardson Fragoso

Pó. Poeira. Nada.
Vai. Fui. Acabando-se.

Vácuo...

Vento. Nuvem. Oco.
Passo devagar. Leve. Levado.

Eu sou pele.
A fina pele. Dele.

A casca. Acabando-se.

Quando só resta a casca.
Eu sou a pele dele.

Pó. Poeira. Nada.

Melancolia
De quem não con-segue...
Vai-se. Vai-se.

De quem sempre é o mesmo.

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Jardson Fragoso II: O poeta e o monstro

Nunca e sempre em algum lugar
e em lugar nenhum,
esperando a resposta
da pergunta que não te fiz,
com minha farda poética,
meu fardo é ser feliz,
ando parando de continuar seguindo,
e volto de e pra onde não vim e fui,
para matar a saudade
que não lembro se estou vivendo,
pois sou assim,
e tudo que faço pra não ser,
é sendo, fragoso,
sou verso sem reverso
e não tenho estrofe,
sou a ferida de quem ataca,
o atacado e o golpe,
nunca e sempre em algum lugar
e em lugar nenhum,
da melancolia conto a poesia
de se encontrar, de tanto procurar
e a angústia de saber
que a gente sempre pode ser melhor.

Ramon Alcântara