Ann Nothing masca Ping-Pong e admira Masseter Suite - Heleno Bernardi

Masca o chiclete
como se seus anseios
juvenis febris clitóris.

Estoura a bola
- mela nariz -
como se suas mães e mais.

Enrola na língua
e no piercing
como se ser coerente sempre.

Masca masca masca masca
como se Freud explica
no play: Cansei de Ser Sexy.

E outras bolas e mais além.
E outras bolas - Tudo bem?!
E o mundo século vinte e um.

Gosto algum.

De repente - desatino olhar -
Nothing não sabe:

Cospe no chão
e pisa
e leva o incômodo
na sola do pé?

Ou

Coloca na cabeça
do próximo otário
o Ping-Pong de existir
e não se saber?

- Ora bolas!!!

Ramon Alcântara

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Heleno Bernardi

Em: http://www.rioartecultura.com/helenobernardi.htm

Heleno Bernardi, uma das revelações da exposição coletiva Posição 2004, realizada no Parque Lage em julho de 2004, reúne em sua nova exposição, "Masseter Suíte", cinco trabalhos fotográficos com imagens de partes do corpo – braços, mãos, crânios - revestidas de pedaços de chiclete. São quatro imagens em grandes formatos e uma série de 49 múltiplos especialmente feita para a mostra.

“Bernardi intitulou todas as suas fotos com os nomes em latim dos músculos da mastigação. Masseter, Buccinator, Genioglossus e, bastante significativo, Temporalis, um músculo temporal. Os pseudomúsculos de chiclete substituem a verdadeira musculatura de um crânio, por exemplo, que tanto poderia ser um achado arqueológico quanto uma relíquia ou um objeto de cena”, escreve no folder da mostra a crítica Julia Brodauf, que assina artigos nos jornais alemães Berliner Morgenpost e Die Welt.

Heleno explica que apesar do suporte do trabalho ser fotografia, o processo escultórico de construção dos objetos e situações, através da mastigação, é parte fundamental e presente na experiência do confronto com a obra. Ele mastiga cerca de 400 gomas para produzir cada uma de suas peças. "O chiclete assume no trabalho um aspecto visceral. E assim, se associa também ao registro de tempo e à transformação pela qual o corpo passa durante e depois da vida. O que me interessa neste material, e em sua junção ao processo fotográfico, é a possibilidade de reflexão sobre os conceitos de transitoriedade e perenidade, além da construção de uma poética que se apresente com contundência plástica. A fotografia, como parte do método, completa e expande estas questões.", explica o artista.

Foi a partir da observação dos chicletes nas calçadas das ruas do Rio que Heleno descobriu o material que usaria em sua obra. "Ele é mastigado, todo o seu aroma, cor e sabor são extraídos e depois é cuspido. Torna-se objeto rejeitado, mas ainda permanece presente, sedimentado ao chão das cidades. Ele se recusa a ser descartável. Além disso, como o chiclete é uma borracha, já foi fóssil. E sua trajetória, desde sair de dentro da Terra até voltar para a superfície tendo o homem como agente, cria um complexo jogo de associações, que me nteressa", observa o artista, que faz relações entre vida e morte no trabalho.

Chicletes mastigados, manuseados e esticados se misturando a partes do corpo como o crânio podem causar uma impressão de horror. Para a crítica Julia Brodauf, “a caveira de Bernardi é assustadora em sua dimensão, mas não chega a ser aterrorizante. As caveiras sempre ostentam um sorriso, e a desta foto também sorri, bem-humorada em seus tons de rosa. Ao seu lado será colocado um braço envolvido em uma luva de goma de mascar. Uma outra foto mostra a intensidade da vida, na força com que o chiclete é estirado. Não existe um mergulho melancólico na contemplação do tempo e da efemeridade. Bernardi associa a morte ao crescimento, e até mesmo ao viço, ao químico e ao indestrutível. Entretanto, a morte permanece, mascada, úmida e fibrosa: repugnante, mas de uma forma infantil e fascinante, que é muito engraçada”.


Visitem: http://massetersuite.com/

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Enquanto isso:

Cansei de Ser Sexy: http://www.csshurts.com/