Juliana

No lugar da vergonha,
ela tem um buraco
que quando coloco um dedo de curiosidade,
às vezes dois,
ela faz umas caras estranhas.
Ferida exposta,
às vezes dói.
Eu tenho um algo a mais
que quando ela toca,
às vezes eu,
também fico estranho.
Às vezes os dois,
às vezes o mundo.
E somos tão tolos
e somos tão frágeis.
Nós gostamos de assistir
na sessão da tarde A lagoa Azul
em dias de chuva,
ela vem escondida da mãe.
A arma de defesa,
papai guarda debaixo do colchão,
no lugar do medo.
Eu sei.
Será que se eu atirar em Juliana
ela vai fazer umas caras estranhas?
Vixe! Eu nem me toquei
e estou fazendo caras estranhas.

Ramon Alcântara

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minhas mãos vasculham
prazeres contidos
desejos, libidos.

Paula Taitelbaum
[Eu versos eu]