Sou preto e espelho o mundo

sou preto espelho sujo
que preta puta cheira
a coca branca morte
da sombra preta pele
e o grito pobre escuta
os brincos surdos dele
e mesmo preto puro
a puta a pele queima
e seco sendo o injúrio
a droga mancha e fere
acorda povo burro
da guerra que elicia
e mesmo sendo caco
a coca no preto espelha
o medo mundo luto
da luta nobre preta
que pinta o branco tudo

sou preto e espelho o mundo

que a puta pobre cheira.

Ramon Alcântara